2025
Chorei que me fartei.
Começou difícil logo a apresentar-se. vivi Janeiro com o coração nas mãos. A rezar para que as coisas melhorassem e a correr todos os dias para o hospital. Aprendi que isto da saúde é algo extraordinário e que o nosso corpo fala imenso quando nos predispomos a ouvir. Conheci bons profissionais de saúde e outros nem tanto assim. Ajudei enfermeiros e auxiliares até a fazer camas quando o caos se instala nos hospitais e eles são poucos para tantos. Corri corredores à procura de ajuda de cada vez que a máquina do oxigénio baixava demasiado e o apitar era ensurdecedor e tive muito medo. Vi pessoas morrer e acompanhei recuperações fantásticas. E levei com os estrilhos e fiquei eu doente. Vivi isto de Janeiro refletido em quase todos os outros meses mas em mais de dez instituições diferentes desde hospitais a UCC durante este ano. Cheguei a fazer mais de 500 klms ao fim-de-semana só para visitar e vi doentes com família perto que nunca receberam visitas. Há coisas que marcaram muito este ano e aprendi muito sobre pessoas. E família. Sobre tempo e ter tempo. Sobre empatia e amor. Por nós e pelo outro. Sobre ajuda e sobre gratidão.
Fui feliz nos pormenores mas desleixei-me de mim. Permiti magoar-me eu e alguns que permiti que o fizessem só porque esperava mais quando estás no fundo. Alguns nem viram.
Perdi pessoas importantes da minha vida que tenho saudades todos os dias. No espaço de duas semanas e foi muito triste. Fui muito apoio e senti que nem eu estava direita. Nem estou.
Profissionalmente foi caótico. Perdi a paciência mais vezes que o que queria, desdobrei-me para chegar a todo o lado e vim de férias a achar que não merecem.
Ri muito. Brindei. Fui à minha ilha ser feliz. Cresci com as minhas pessoas. Comemorei coisas bonitas. Mergulhei no mar e dancei. Comi bem. Fui de férias. Estive presente. Passeei. E continuo a pedir para ser melhor pessoa todos os dias.
Acabo um ano difícil orgulhosa de quem sou. Da Mulher que sou, da filha, irmã, tia, madrinha e Amiga que sou. Da profissional que me tornei.
2025 foi difícil mas tive saúde e (alguma) paz. O resto foi só o resto.











