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SorrisoIncógnito

Todo o sorriso é apaixonante devido ao incógnito que o ofusca! SORRIR_um estado de espírito...

Onze anos sem pertencer aos "quadros" do desemprego...

Continuo a lembrar-me como se fosse hoje a primeira vez que pisei esta empresa. Consigo lembrar-me de cada rosto que vi, só homens, que ainda hoje são colegas de trabalho, outros que já não. Consigo lembrar-me de logo no primeiro dia ter a noção de como aquilo seria passageiro, não passaria de um novo emprego que tinha aparecido por acaso mas que não era lugar para eu aguentar ficar.

Lembro-me tanto das primeiras peripécias. Lembro-me de cá chegar e chorar a dizer que não aguentava uma semana (um abre olhos para aqueles que começam num trabalho novo e é difícil, as vezes as coisas depois descomplicam um pouco).

Lembro-me de poucos dias depois de cá ter começado a trabalhar o encarregado me dizer "em três tempos se não fores embora, ou tens uma panca como nós ou vais ficar com uma", hoje acredito que já tinha mas cada vez a panca dá sinais de piorar. Efeitos colaterais. Nada a fazer. O encarregado foi à pouco embora mas continuo a achar, que foi das coisas mais acertadas que me disse.

Lembro-me de não ter achado nada piada a só haver homens na empresa, não tinha ninguém com quem dar dois dedos de conversa feminina. E vinha de uma empresa equilibrada em géneros. Mas com o tempo percebi que foi a melhor coisa que me podia ter acontecido, uma pena não haver um achado no meio deles que me despertasse a alma, mas não. Ligações unicamente profissionais nestes onze anos. 

Tenho mil e duas peripécias sempre para contar desta empresa que já me trouxe tanta coisa boa e algumas menos boas, o que é perfeitamente natural. Quem me segue há mais tempo conhece bem algumas peripécias que vos conto porque na sua maioria são mesmo de arrancar risadas. 

São onze anos e isto realmente é de loucos.

Já chorei, mas já dei tanta risada boa, tanto com os funcionários, como com o boss, com os clientes (esta foi óptima), com os fornecedores ou mesmo com outros indivíduos (que não se esquecem) que me aparecem à frente. Estou mais que atrofiada é certo. Fazer o quê?!

Continuo a agradecer por nos dias que correm, nesta crise que parece que ganhou raízes, ter trabalho. Continuo a agradecer as oportunidades que me vão sendo dadas. Continuo a resmungar todos os dias para sair da cama pela manhã, queixo-me pela cabeça massacrada com que chego muitas vezes ao fim do dia, bato o pé pelas vezes que ganho um cabelo branco por aturar gente que me tira do sério, dias há em que me revolto por ter tanta coisa nos meus ombros que às vezes me tira o sono, mas caramba, se ficasse em casa, se não tivesse trabalho, se fizesse parte da enorme lista de desempregados do país, aí sim o atrofio seria muito maior.

Como eu agradeço por ter trabalho. Dia após dia. Mas a aguentar onze anos, acho que no mínimo já tenho direito a um busto em minha homenagem à entrada das nossas instalações. Já faço parte da mobília. Já é uma rotina enraizada. Já somos família. Já me tratam como tal. Do muito que vem um dia ou outro que me apetece queixar... e ao ver tanta coisa ao meu redor não tenho de quê... as coisas vão-se ajeitando.

Há muita coisa a acertar o compasso, a limar arestas, no entanto é ouro. 

São onze anos de trabalho na mesma empresa. Nos dias de hoje é mesmo ouro. Como isto me sabe bem, como isto passa tão rápido, tão rápido mesmo, como isto é tão importante! Como me lembro tantas e tantas vezes disto quando pela manhã a caminho do trabalho venho a querer resmungar por ter precisado de uma grua para me tirar da cama. Tipo hoje. Mas... ainda bem. Continuo a chegar aqui e a ter orgulho de ver que "isto" também já tem muito de mim.

Pensei não aguentar uma semana. Passaram onze anos!

É um exemplo de superar expectativas. De não ir pela primeira impressão. É realmente, um abre olhos.

Peripécias deste lugar à beira Pólo Norte plantado.

-2ºC 

Quando o teu rádio, como forma de protesto por o teres deixado a dormir ao relento resmunga contigo. E como? Remetendo-se ao silêncio...

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Sim é isto. Até o rádio parou de funcionar. Por isso imagino as temperaturas de madrugada...

As manhãs no inverno estão longe de serem aquilo que tu achas que elas poderão ser.

Se gostas de olhar pela janela para teres uma primeira impressão de como estará o dia cá fora, esquece. Está tudo muito bonito. Céu azul lindo. Poucas nuvens. Sol radiante. Pões um pé fora da porta e os dois graus negativos até te congelam a alma.

Aquele descer as escadas a olhar para o carro é o processo mais doloroso, muito mais que a espera da água na mangueira congelada. E é toda uma ventura para te lançares à estrada.

Coragem Maria, coragem. Tu sabes, a vida não é fácil para quem mora ali um bocadinho abaixo do Pólo Norte.

Peripécias... *22*

Saio mais cedo do trabalho, chego ao posto médico para consulta.

-Maria tens consulta hoje? Não vi aqui o teu nome.

- Tenho sim. Pelo menos acho que sim.

...

...

- Maria tens consulta quinta-feira sim, mas não é hoje. É dia 28!!

...

...

Estou ou não estou a precisar de ir ao Médico?!

A tempestade "Ana"!

Ontem era dia de tempestade "Ana". O alerta tinha sido dado e os avisos mais que distribuídos. O Norte estava em alerta com aviso vermelho, devido principalmente ao vento forte. Seria então um típico domingo morrinhento dentro de portas. Como sabem, moro ali um bocadinho abaixo do Pólo Norte, numa terra que tem o vento como nome do meio, mas... aquilo que vi e ouvi ontem ultrapassou tudo aquilo que me lembro de até à data ter ouvido. Mesmo ali naquele pedaço de terra que já se vai habituando em ser conhecido como a terra do vento.

Durante a tarde tive uma única fuga de casa, para ir dar colinho à afilhada mai'nova, que mora tão longe como a casa ao lado e já aí o vento estava forte, o que me fez quase cair pelas escadas abaixo e como era impossível abrir um guarda-chuva foi correr o mais que pude e nem assim evitar ficar toda encharcada.

A coisa tendeu a piorar, aliás como era o alerta - entre as 20 e as 2 horas da manhã de hoje.

Tinha-se combinado ver o jogo do [meu] FCP juntos, mas foi abortada a saída de casa visto que o tempo não estava propício e muito menos convidava. Já depois do Porto marcar os 2 ou 3 primeiros golos tudo começou a intensificar-se.

O barulho cá fora assustador. Cada vez mais. Parecia que as persianas estavam a tentar ser arrancadas. Ouviam-se barulhos estranhos no exterior da casa, mas fora de questão ir espreitar. Aquilo assobiava por todos os cantos. E eu enrolada na mantinha só pedia para que aquilo passasse rápido. A chuva até não era muita, mas o vento. Minha nossa o vento era claramente sentido. Até que por uns segundos - gigantes - aquilo estremeceu tudo. Barulhos muito fortes e a luz foi abaixo. Ficou-se ali às escuras a ouvir-se o tumulto que se passava cá fora. 

De repente acalmou.

Um silêncio assustador. Depois daquela rebeldia toda. Continuou-se sem luz.

Abri uma das janelas e espreitei cá fora. Consegui ver que a rua estava cheia de restos de uma placa de pladur. Não quis ver mais. Estava frio. Fechei a janela, ainda sem luz e deitei-me.

Eu, que tenho insónias e que para dormir é os cabos dos trabalhos passei quase a noite em claro. Sempre em alerta quando começava a soprar um pouco mais. Depois foi a chuva.

A luz voltou. Liguei-me à internet e vi as ultimas actualizações. Infelizmente muitas ocorrências. Só queria dormir e que tudo já tivesse passado.

Acordei ainda escuro e esperei que se fizesse luz. Abri a janela:

 

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Está frio. Nevou na serra e começa a sentir-se o gelo. A chuva continua. Não usei a estrada habitual para o trabalho porque nestas alturas fica bastante perigosa - nem imagino como esteja. Vim por uma alternativa. Mesmo assim, vi árvores caídas. Acidentes. Condutores com condução irresponsável face ao estado das vias. Bastante sujas. Muitas folhas. Ramos de árvores. Terra. Escoamentos entupidos. Lençóis de água. Placas destruídas. Outdoors arrancados. Estruturas feitas num oito.

Cheguei ao trabalho bem depois da hora de entrada mas bem. Todo o cuidado a conduzir é pouco.

Já no trabalho, a chuva intensificou-se e houve um trovão que iluminou todo o escritório.

Eu disse. O inverno quando viesse ia trazer tudo aquilo que tem atrasado em chegar.

Que se fechem as portas da serra que está a ficar um grizo mais ou menos e é esperar que não hajam muitos mais estragos.

E coragem Maria! Coragem! Tu sabes, a vida não é fácil para quem mora ali um bocadinho abaixo do Pólo Norte.

Até podem ter um boss melhor que o meu mas com mais sentido de humor não é fácil. #6

Boss entra com um amigo, oferece-lhe café e bolachas.

Boss para o amigo: Deixa abrir aqui este pacote (ao verificar que a caixa das bolachas da empresa estava vazia) destas bolachas de chocolate com bom aspecto. Aqui há tempos também abri um e eram aqui da Maria, só percebi quando lhe ofereci a ela as bolachas que eram dela, agora cada um tem o seu lado, senão andava sempre a pegar nas dela.

Eu sentada no meu lugar a ouvir a conversa mas nem sequer abri a boca até que:

Boss: Não foi Maria? Mas este já não é teu pois não? - depois de já estarem os dois a comer as bolachas.

...

...

Por acaso é.

Dos 1 de Novembro. Do ser solteira. E dos desbloqueadores de conversa de gente cusca.

Desde que me lembro, os meus 1 de Novembro é dia de família. De voltar lá, a eles. Aos meus. É dia de reencontros, de sorrisos e abraços. De lembranças. De agradecer muito. De sentir. Ter saudade. De ver a família. De falar, contar novidades. Das inevitáveis e nunca surpreendentes perguntas do estar solteira, dos namorados, do casamento, dos filhos... é dia dos da cidade virem à aldeia e acharem-se os maiores junto dos parolos até lembrarem que nasceram ali. É dia de norte, de descer ao rio. De respirar aquilo tudo. E ficar com ciscos nos olhos.

Ontem não "cumpri" o dia 1 de Novembro. Não fui à família. Não fui ao cemitério, até porque o faço imensas vezes e não preciso deste dia para o fazer.

Ontem foi dia de passeio com a comadre. Fomos ao passeio e às compras.

Hoje a minha mãe liga-me e diz, sabes que ontem falaram de ti lá no cemitério.

Ai sim? Perguntaram se já me tinha casado (basicamente todos os anos o mesmo desbloqueador de conversa!)?

Não. Mas quase. Disseram que tinhas um namorado muito giro. Alto, elegante. Muito bonito. Que ficavam muito bem juntos. E ao que parece é engenheiro.

...

...

Depois de me rir, perguntei-lhe, e tu que disseste?

- Que nos devia apresentar que nem eu nem tu o devíamos conhecer. ahahah

...

(É o que faz pôr fotografias com um primo que não vive cá e vem cá passar uns dias e já pensarem que é o namorado!!! Por acaso lindo, alto, elegante. Muito bonito e por acaso médico. Falham em tudo esta gente cusca. Só a mim?! - btw o que já me ri)

Peripécias... *21* _ no trabalho

Chega cá às instalações um potencial futuro fornecedor de serviços e encontra o boss júnior lá fora. O boss não estava, conversam e ele diz-lhe:

Fornecedor: É difícil de o apanhar por cá. Mas eu vou tentando.

Boss júnior: Pois... realmente já tem passado cá algumas vezes e é sempre quando ele não está. (empatando conversa) Pronto vou tomar um cafezinho, quer um?

Fornecedor: Era mesmo isso, ao piso de cima certo?

Boss júnior: Sim....

Já aqui "à minha beira", senti que havia ali um conversa típica de encher chouriços a ver se o tipo dava por ela e ia à vidinha. Até que deve ter dado o tilt e...

Fornecedor: Bem vou trabalhar e deixa-los trabalhar. (e foi!)

Boss entretanto chega.

Boss: Que é que este queria?

Eu: Não falou consigo? Vinha falar consigo!

Boss: Não ele passou por mim cumprimentou-me mas não disse nada.

Boss Júnior: Ele veio só para ver a Maria. Estava mais interessado em subir para tomar café que propriamente em "vender" o serviço!

 

(Entretanto)Recebi uma mensagem no facebook a dizer "Olá!". Imaginam de quem seja?

 

Já tinham saudades das minhas peripécias no trabalho não já?

Há pessoas distraídas e depois há a minha pessoa.

Só para terem a noção do quão distraída, se é isso a que posso chamar, eu sou.

Há uns tempos que tenho um pedido de amizade no facebook de um senhor cuja primeira impressão foi: "esta cara não me é estranha", mas não adicionei porque queria identificar primeiro de onde seria. Passaram todos estes dias e vezes sem conta a olhar para aquele pedido de amizade vejo que é, nada mais nada menos do que proprietário de um estabelecimento na minha terrinha, ali pertíssimo de minha casa e com quem me cruzo diversas vezes.

Sim, esta sou eu.

Um batom colorido e um risco preto nos olhos.

Na verdade, as minhas insónias voltaram. Se é que alguma vez se foram. Mas parece estar de volta uma daquelas fases negras da coisa. Não há pachorra mas elas querem lá bem saber. Acho que desde que estive de férias, fiquei com tudo trocado. Levantei-me sempre cedo e deitei-me sempre tarde. Vim e não consegui aumentar muito mais as minhas horas de sono diárias. No entanto andamos nisto há três semanas, com dias de intenso trabalho e desgaste psicológico que me faz ficar ainda mais cansada mas dormir que é bom nada. E depois isso reflecte-se. Na cara, na pele, no mau humor. Bem tenho que admitir que, no meu caso, acho que quanto mais durmo (e por não ser o normal) mais mal disposta fico.

Este fim de semana foi um caos. De sexta para sábado já cheguei tarde a casa mas depois perdi horas às voltas na cama a levar com aquele silêncio ensurdecedor que me fez acordar com enxaquecas. Voltei a dormir e isso só piorou. Passei um sábado aborrecido. Desmarquei tudo o que tinha em planos e fui deitar-me cedinho. No domingo tinha a corrida da Mulher. Era uma da manhã e eu ainda bem acordada com uma dor de cabeça insistente. Depois começou a má disposição de estar ali deitada à horas e dormir nada. Joguei candy crush até as vidas acabarem. Vi o que havia a dar de jeito na Tv. Fiz zapping quinhentas vezes. Fechei o mais que pude os buracos da persiana. Apreciei o quarto do lado esquerdo, e depois do lado direito, o tecto e andei naquilo horas que me perdi em contar carneirinhos ou o que quer que seja. Eram cinco da manhã e eu sem pregar olho, mandei mensagem às companheiras da corrida a dizer que não ia conseguir ir, estava sem dormir, não ia aguentar. Às sete e meia, hora combinada de saída recebi a mensagem "sempre não vens?". E eu, que ainda estava acordada (!!!) infelizmente tive que falhar. Adormeci por volta das oito da manhã. Às onze e meia estava a tomar o pequeno almoço na cozinha.

Apetecia-me estar rabugenta a bater o pé e a rodar a baiana. Apetecia-me berrar aos céus e perguntar mil porquês, mas andei todo o santo dia numa pasmaceira que ninguém aguenta. Nem eu. Voltei a cair na cama cedo. Vi a gala toda dos globos de ouro. E depois andei a fazer zapping por programas de chacha. Não consigo precisar a que horas adormeci, mas já bem de madrugada. Às oito estava fora da cama.

Comprei um batom novo no fim de semana e dei de caras com ele logo pela manhã. Valeu isso e um risco preto nos olhos.

"Isso é tudo boa disposição a uma segunda-feira?" foi o que ouvi pela manhã.

É isto. Aparências. "Linda e esbelta" por fora, a desfalecer e a sussurrar por uma cama e uma noite bem dormida por dentro.

Mas bem disposta. Sim por incrível que pareça. É segunda-feira e eu estou bem disposta.

SorrisoIncógnito

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