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SorrisoIncógnito

Todo o sorriso é apaixonante devido ao incógnito que o ofusca! SORRIR_um estado de espírito...

O amor é um lugar estranho.

Ninguém tem que te dizer chega. É o coração. Ninguém tem que te dizer baixinho ao ouvido para chamar a tua atenção que estás no bom caminho e que nem vale a pena por um segundo que seja olhar para trás. Não vais receber uma carta com o certificado de que tudo vai bem. Não vais pedir um balanço para ver qual o resultado final. Não. Ninguém tem que te dizer chega. Vais ser tu, com todo o tempo do mundo a arranjar esse teu tempo que tem o tempo que lhe for necessário. Ninguém te vai dar a mão enquanto te faz o caminho, mas podes ter alguém que te dê a mão enquanto caminhas, que te dê colo quando precisas apenas descansar. Alguém que te limpe as lágrimas quando as forças parecem que já se foram e as pernas já não aguentam. Ninguém te vai dizer que não podes mais voltar. Mas podes ter alguém ali que te diga "força" ou que não diga, mas que seja alguém cujo silêncio te impulsione a ouvir aquilo que te faz ir em frente. Ninguém tem que te dizer chega. Basta tu dizeres. E querer.

[ ♥ ]

Parva que sou!

Parva que sou nessas vezes é que dou conta do porquê de isto às vezes moer. E lembrar. e aconchegar o coração. Se assim não fosse ia lembrar o quê? Às vezes quando quero esquecer é apenas porque sei vou lembrar. já foi dizem-me. Claro que sim digo eu. Acreditamos todos no que dizemos. Vida adiante. Às vezes quando venho no carro o silêncio do telemóvel é tão incomodativo que a música sobe de som e olho para o lado naquele assento vazio quase que vejo o que não está. Às vezes respondo a perguntas que ninguém fez, mas que no fundo batem numa tecla que está ali a insistir para que haja resposta. Não se trata de tecnologias, trata-se de organismos. Era tão mais fácil. Mas também era muito mais difícil se isto fosse sempre, assim sendo por ser só às vezes vai-se suportando. Parva que sou, às vezes sei que isto não vale a pena. Lá está, é só às vezes mas ainda assim, parva que sou.

[ ♥ ]

O amor é um lugar estranho.

O coração bate. Tudo acelera. Lá dentro qualquer coisa descontrola e sentes um calor que te incomoda. Tens a noção que nada passou (ainda). Grande merda. Tu lutas, tu tentas. Tu aceitas essa decisão e depois lá dentro não tens mão para controlar. Tu consegues não procurar. Tu consegues ter a noção do que é melhor para ti. Tu tens a perfeita consciência de que o teu caminho é esse mesmo que estás a tentar. Depois lá dentro, não há razões, não há lógica, não há total controlo. Sentes que tens dois caminhos, que sabes qual o que escolheste mas os cruzamentos deles baralham-te. Cabeça e coração são uma desgraça. Não queres ver, mas um coração sabe e vê mais que o nosso olhar. Sente aquilo que não é visível. É como uma mãe que sempre sabe tudo mesmo que insistas em não lhes dar razão. O coração bate. Tudo acelera. Fica por vezes tudo tão claro como outras tantas vezes, tão escuro. E tu tens medo. Não do escuro, mas de tudo aquilo que fica claro demais. Para ti. Em ti. Em mim. Cá dentro.

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Da inspiração...

está fresco, está cinzento.chove.pegas na manta que sempre te refugia dos arrepios. eles não vão.aquilo vem de dentro.aconchegaste mais um pouco até sentires no teu rosto a quentura que a manta te trás.e começas a sentir que está frio mas mais fria estás tu.fria de ti,dos outros,de tudo.fria do mundo,dos sentimentos,do que te invade.continua escuro e mais escura tu pareces.lá fora chove mas é cá dentro que mais sentes os pingos da chuva.tens uma vontade tremenda de ver, de sentir de querer o que já não é teu.nem pensas que há guarda-chuvas que te protegiam disso.queres lá saber agora.a vontade de querer é maior.a vontade do teu coração é mais forte.a vontade do amor não foi embora e embala-te entre suores e medos.tens tanto medo.e até de falar tens medo, mas não estás a conseguir lidar com eles sozinha.sozinha estás tu, nesse mundo incompreendido de medos e angustias.não deixas de ser forte por pedir a mão.deixas de o ser em cada palavra que sufocas e que guardas com espinhos que te magoam a cada segundo.nem assim deixas de querer.na mesma proporção que não deixas de ter medo.muito medo.continua frio.cada vez mais frio.

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Como é que se Esquece Alguém que se Ama?

"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar. Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

O silêncio de quem sofre por amor...

"Parece absurdo que alguém possa sofrer num dia de céu azul, na beira do mar, numa festa, num bar. Parece exagero dizer que alguém que leve uma pancada na cabeça sofrerá menos do que alguém que for demitido. Onde está o hematoma causado pelo desemprego, onde está a cicatriz da fome, onde está o gesso imobilizando a dor de um preconceito? Custamos a respeitar as dores invisíveis, para as quais não existem prontos-socorros. Não adianta assoprar que não passa. Tenho um respeito tremendo por quem sofre em silêncio, principalmente pelos que sofrem por amor."

Miguel Falabella no seu facebook

SorrisoIncógnito

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