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SorrisoIncógnito

Todo o sorriso é apaixonante devido ao incógnito que o ofusca! SORRIR_um estado de espírito...

Gisela João

 

É mulher do Norte. 

Tem uma voz maravilhosa. E um sorriso daqueles gigantes que se quer. Canta lindamente e tem na voz emoção. Transmite boas energias. E coração.

Pessoas de sorrisos são sempre mais bonitas, sempre o disse.

Gostei muito de a conhecer um pouco melhor desde a sua entrevista para o alta definição. Não percam e ouçam Gisela João. Vale a pena.

"É o que há. Bora lá" algures na entrevista, uma frase que fica.

"Não entendo esta merda!"

Diz o Nilton aqui:

"Não entendo esta merda!
Um pavilhão cheio em menos de uma semana. Houve 25 actuações dos melhores músicos portugueses (e muitos mais teríamos para actuar ali). Trabalharam gratuitamente para o evento quase mil pessoas. As televisões uniram-se e a rádio, pela primeira vez na história deste país, fiz uma emissão única com profissionais de todas as estações sentados na mesma mesa durante 5 horas de uma emissão histórica. Foram angariados mais de 1 milhão e 150 mil euros num evento sem precedentes e que mostra que somos um povo brutal.
Hoje, a maioria da imprensa e as redes sociais só falam do “peido” do Salvador Sobral. Parece que ninguém percebeu o que se passou ali."

Foi exactamente o que eu quis dizer hoje logo pela manhã no meu facebook mas por outras palavras. Não consigo entender. A mensagem importante não partilham.

Prioridades...

"Amar pelos dois"

 

Foi esta a música que ganhou este ano o Festival da Canção.

Deu pano para mangas, aliás como tem dado nos últimos anos, as críticas ao mesmo. Eu também sou da opinião que em Portugal há tantas boas músicas e boas vozes, mesmo amadores que se encontra por aí que... depois uma pessoa fica decepcionada.

Adiante, por acaso não me apetece falar mais do festival porque já tenho falado em anos anteriores e é um bocadinho mais do mesmo.

Pois que, ganhou a música "Amar pelos dois" interpretada por Salvador Sobral e da autoria da irmã, Luísa Sobral (que gosto de ouvir cantar).

Gosto da música (não é uma música espectacular, mas no rol...), gosto, fica no ouvido, gosto de o ouvir cantar, no entanto não consigo perceber a interpretação física da mesma. Há ali todo um conjunto exterior, incluindo o aspecto visual dele que não me inspira de todo admiração, mas ver aquela actuação com a minha mãe por perto já deu para tirar algo positivo "oh mãe já viste aquele cabelo? Benze-te duas vezes antes de falar da minha juba quando saio de casa às vezes pela manhã"!!! E o casaco vejo-o como a personificação do pensamento "por cá, há sempre espaço para mais um", somos um país acolhedor certo?

Só mais uma coisa, não dá para irem os dois irmãos cantar?

É que (só) por acaso gostei bem mais de os ouvir aos dois no final a interpreta-la.

Dez anos!!

Consigo lembrar-me como se fosse hoje a primeira vez que pisei aquela empresa. Consigo lembrar-me de cada rosto que vi, só homens, que ainda hoje são colegas de trabalho, outros que já não. Consigo lembrar-me de logo no primeiro dia ter a noção de como aquilo seria passageiro, não passaria de um novo emprego que tinha aparecido por acaso mas que não era lugar para ficar.

Lembro-me tanto das primeiras peripécias. Lembro-me de cá chegar e chorar a dizer que não aguentava uma semana (um abre olhos para aqueles que começam num trabalho novo e é difícil, as vezes as coisas depois descomplicam um pouco). Lembro-me de poucos dias depois de cá ter começado a trabalhar o encarregado me dizer "em três tempos se não fores embora, ou tens uma panca como nós ou vais ficar com uma", hoje acredito que já tinha mas cada vez a panca dá sinais de piorar. Efeitos colaterais. Nada a fazer. Lembro-me de não ter achado nada piada a só haver homens na empresa, não tinha ninguém com quem dar dois dedos de conversa feminina. Com o tempo percebi que foi a melhor coisa que me podia ter acontecido, uma pena não haver um achado no meio deles que me despertasse a alma, mas não. Ligações unicamente profissionais e aliás são do mais educados e respeitosos possíveis. Acho que só uma vez alguém me "picou" pelo facto de estarmos em “patamares diferentes” e eu ser mulher. Foi uma situação pontual e nunca mais senti o que quer que fosse em relação a isso. Lembro-me de quando entrei para aqui um funcionário não me largar o pé. No início deixei andar porque pensei “é novidade isto passa-lhe”. Acabou por não lhe passar e ele levou uma repreensão não só do boss como de todos. Acabou por sair da empresa mais tarde. Não directamente por esta situação até porque nunca foi uma situação de extremos mas cheguei a rir-me com as fotografias que me enviava de gatinhos e flores para o telemóvel do trabalho. Tenho mil e duas peripécias sempre para contar desta empresa que já me trouxe tanta coisa boa e algumas menos boas. Quem me segue há mais tempo  conhece bem algumas peripécias que vos conto porque na sua maioria são mesmo de arrancar sorrisos. São dez anos e isto realmente é de loucos. Já chorei, mas já dei tanta risada boa, tanto com os funcionários, como com o boss, com os clientes (esta foi óptima), com os fornecedores ou mesmo com outros indivíduos (que não se esquecem) que me aparecem à frente. Estou mais que atrofiada é certo. Fazer o quê?!

Continuo a agradecer por nos dias que correm, nesta crise que parece que ganhou raízes, ter trabalho. Continuo a agradecer as oportunidades que me vão sendo dadas. Continuo a resmungar todos os dias para sair da cama pela manhã, queixo-me pela cabeça massacrada com que chego muitas vezes ao fim do dia, bato o pé pelas vezes que ganho um cabelo branco por aturar gente que me tira do sério, dias há em que me revolto por ter tanta coisa nos meus ombros que às vezes me tira o sono, mas caramba, se ficasse em casa, se não tivesse trabalho, se fizesse parte da enorme lista de desempregados do país, aí sim o atrofio seria muito maior.

Como eu agradeço por ter trabalho. Dia após dia. Mas a aguentar dez anos, acho que no mínimo já tenho direito a um busto em minha homenagem à entrada das nossas instalações. Dez anos. Já faço parte da mobília. Já é uma rotina enraizada. Já somos família. Já me tratam como tal. Do muito que vem um dia ou outro que me apetece queixar... e ao ver tanta coisa ao meu redor não tenho de quê... as coisas vão-se ajeitando. Há muita coisa a acertar o compasso, no entanto é ouro. 

São dez anos de trabalho na mesma empresa. Nos dias de hoje é mesmo ouro. Como isto me sabe bem, como isto passa tão rápido, como isto é tão importante! Como me lembro tantas e tantas vezes disto quando pela manhã a caminho do trabalho vou a querer resmungar por ter precisado de uma grua para me tirar da cama. E ainda bem. Continuo a chegar lá e a ter orgulho de ver que aquilo também já tem muito de mim.

Pensei não aguentar uma semana. Passaram dez anos!

Expectativas mais que superadas!

Do nosso sangue a quilómetros de distância.

Eu não gosto de despedidas. Não gosto de ter que abraçar e ter palavras a dizer a alguém para minimizar uma coisa que não está a ser fácil.

Acho que desde que me lembro e me dou por gente tenho família no estrangeiro. Bem cedo aprendi a brincar no verão com os primos como se não houvesse amanhã quando voltavam à terra por uns dias. Desde bem cedo aprendi a lidar com as conversas e os abraços dos tios que nos querem bem, mas só nos conseguem ver uma vez por ano. Do mano e do pequeno que me fazem perder todos os dias tanta vida do que vivem. Podia portanto ter já calo nestas situações. Desenganem-se. A cada partida, a cada reviver de uma despedida a dor cá dentro volta. A saudade mesmo já antes de ir. E então agora, que a veia de criança foi-se juntamente com a inocência, o lembrar mesmo antes de partirem do que se vai perder, da incógnita de se para o próximo ano estamos cá todos. Essas merd@s que em criança choramos baba e ranho mas no dia a seguir passa e que agora temos consciência que as coisas às vezes não correm como nós queremos. Até porque os dissabores e as perdas que as distâncias já me trouxeram só o comprovam. Perdemos tanto uns dos outros. E pela lógica isto não deveria ser assim.

Na segunda-feira, quando ela se aproximou de mim com ciscos nos olhos e os braços abertos a dizer "ainda há pouco eramos uns miudos a brincar no fundo da rua, agora já sabemos o que é ter responsabilidades, uma delas é que tenho que ir porque o trabalho está à espera". E ficamos ali uns minutos entre as lágrimas e o abraço apertadinho de quem fica e de quem vai com tanto para viver junto. Foi a minha prima que me levava para todo lado, que crescemos juntas, que me ensinou tanta coisa, que a distância separou e que agora já tem família lá. E o ciclo é este, os filhos, o criar raízes e o vir para cá é cada vez mais uma miragem de um "talvez um dia, talvez nunca" que nos sufoca o abraço. Agosto termina hoje. O mês das férias. Hoje vão embora mais uns quantos.

Resumindo, porra para esta merd@ das distâncias, dos quilómetros de saudade, dos ciscos nos olhos e do coração apertadinho.

Ser Português em Portugal e falar estrangeiro é só estúpido.

Todos sabemos que Agosto é o mês dos emigrantes regressarem de férias ao nosso país. Eu costumo dizer que está aberta a época do "Jean-Michel vien ici imediatamente" ou do "Jean-Michel tu vas tomber e ainda levas por cima".

Sinceramente acho extremamente desnecessário por parte destes o falarem outra língua que não a sua própria língua, visto que são isso mesmo, portugueses. "Ah, até faço questão que os meus filhos lá sigam a escola portuguesa", mas depois cá é o que se vê.

Ontem num hipermercado cá na terrinha, há uma senhora que vem com o carrinho de compras contra mim, ao olhar, imediatamente diz-me "excusez moi, pardon!", ao que lhe respondo "de nada, de rien!". Ficou a olhar para mim com uma cara de parva, vira-se para a senhora que estava com ela e pergunta-lhe "mas afinal é para levar pêssegos ou maçãs?".

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Sim... é só estúpido.

SorrisoIncógnito

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