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SorrisoIncógnito

Todo o sorriso é apaixonante devido ao incógnito que o ofusca! SORRIR_um estado de espírito...

Salvador em Português!

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Sem grandes efeitos. Sem decotes. Pernas à mostra. Sem meninos bonitos ou meninas exuberantes. Sem grandes coreografias. Sem cantar em inglês e a marcar pela diferença a cantar na NOSSA língua em Português - orgulho.

Parabéns Salvador Sobral.

Gostei muito do tão simples que foi.

 

"Amar pelos dois"

 

Foi esta a música que ganhou este ano o Festival da Canção.

Deu pano para mangas, aliás como tem dado nos últimos anos, as críticas ao mesmo. Eu também sou da opinião que em Portugal há tantas boas músicas e boas vozes, mesmo amadores que se encontra por aí que... depois uma pessoa fica decepcionada.

Adiante, por acaso não me apetece falar mais do festival porque já tenho falado em anos anteriores e é um bocadinho mais do mesmo.

Pois que, ganhou a música "Amar pelos dois" interpretada por Salvador Sobral e da autoria da irmã, Luísa Sobral (que gosto de ouvir cantar).

Gosto da música (não é uma música espectacular, mas no rol...), gosto, fica no ouvido, gosto de o ouvir cantar, no entanto não consigo perceber a interpretação física da mesma. Há ali todo um conjunto exterior, incluindo o aspecto visual dele que não me inspira de todo admiração, mas ver aquela actuação com a minha mãe por perto já deu para tirar algo positivo "oh mãe já viste aquele cabelo? Benze-te duas vezes antes de falar da minha juba quando saio de casa às vezes pela manhã"!!! E o casaco vejo-o como a personificação do pensamento "por cá, há sempre espaço para mais um", somos um país acolhedor certo?

Só mais uma coisa, não dá para irem os dois irmãos cantar?

É que (só) por acaso gostei bem mais de os ouvir aos dois no final a interpreta-la.

Dez anos!!

Consigo lembrar-me como se fosse hoje a primeira vez que pisei aquela empresa. Consigo lembrar-me de cada rosto que vi, só homens, que ainda hoje são colegas de trabalho, outros que já não. Consigo lembrar-me de logo no primeiro dia ter a noção de como aquilo seria passageiro, não passaria de um novo emprego que tinha aparecido por acaso mas que não era lugar para ficar.

Lembro-me tanto das primeiras peripécias. Lembro-me de cá chegar e chorar a dizer que não aguentava uma semana (um abre olhos para aqueles que começam num trabalho novo e é difícil, as vezes as coisas depois descomplicam um pouco). Lembro-me de poucos dias depois de cá ter começado a trabalhar o encarregado me dizer "em três tempos se não fores embora, ou tens uma panca como nós ou vais ficar com uma", hoje acredito que já tinha mas cada vez a panca dá sinais de piorar. Efeitos colaterais. Nada a fazer. Lembro-me de não ter achado nada piada a só haver homens na empresa, não tinha ninguém com quem dar dois dedos de conversa feminina. Com o tempo percebi que foi a melhor coisa que me podia ter acontecido, uma pena não haver um achado no meio deles que me despertasse a alma, mas não. Ligações unicamente profissionais e aliás são do mais educados e respeitosos possíveis. Acho que só uma vez alguém me "picou" pelo facto de estarmos em “patamares diferentes” e eu ser mulher. Foi uma situação pontual e nunca mais senti o que quer que fosse em relação a isso. Lembro-me de quando entrei para aqui um funcionário não me largar o pé. No início deixei andar porque pensei “é novidade isto passa-lhe”. Acabou por não lhe passar e ele levou uma repreensão não só do boss como de todos. Acabou por sair da empresa mais tarde. Não directamente por esta situação até porque nunca foi uma situação de extremos mas cheguei a rir-me com as fotografias que me enviava de gatinhos e flores para o telemóvel do trabalho. Tenho mil e duas peripécias sempre para contar desta empresa que já me trouxe tanta coisa boa e algumas menos boas. Quem me segue há mais tempo  conhece bem algumas peripécias que vos conto porque na sua maioria são mesmo de arrancar sorrisos. São dez anos e isto realmente é de loucos. Já chorei, mas já dei tanta risada boa, tanto com os funcionários, como com o boss, com os clientes (esta foi óptima), com os fornecedores ou mesmo com outros indivíduos (que não se esquecem) que me aparecem à frente. Estou mais que atrofiada é certo. Fazer o quê?!

Continuo a agradecer por nos dias que correm, nesta crise que parece que ganhou raízes, ter trabalho. Continuo a agradecer as oportunidades que me vão sendo dadas. Continuo a resmungar todos os dias para sair da cama pela manhã, queixo-me pela cabeça massacrada com que chego muitas vezes ao fim do dia, bato o pé pelas vezes que ganho um cabelo branco por aturar gente que me tira do sério, dias há em que me revolto por ter tanta coisa nos meus ombros que às vezes me tira o sono, mas caramba, se ficasse em casa, se não tivesse trabalho, se fizesse parte da enorme lista de desempregados do país, aí sim o atrofio seria muito maior.

Como eu agradeço por ter trabalho. Dia após dia. Mas a aguentar dez anos, acho que no mínimo já tenho direito a um busto em minha homenagem à entrada das nossas instalações. Dez anos. Já faço parte da mobília. Já é uma rotina enraizada. Já somos família. Já me tratam como tal. Do muito que vem um dia ou outro que me apetece queixar... e ao ver tanta coisa ao meu redor não tenho de quê... as coisas vão-se ajeitando. Há muita coisa a acertar o compasso, no entanto é ouro. 

São dez anos de trabalho na mesma empresa. Nos dias de hoje é mesmo ouro. Como isto me sabe bem, como isto passa tão rápido, como isto é tão importante! Como me lembro tantas e tantas vezes disto quando pela manhã a caminho do trabalho vou a querer resmungar por ter precisado de uma grua para me tirar da cama. E ainda bem. Continuo a chegar lá e a ter orgulho de ver que aquilo também já tem muito de mim.

Pensei não aguentar uma semana. Passaram dez anos!

Expectativas mais que superadas!

Do nosso sangue a quilómetros de distância.

Eu não gosto de despedidas. Não gosto de ter que abraçar e ter palavras a dizer a alguém para minimizar uma coisa que não está a ser fácil.

Acho que desde que me lembro e me dou por gente tenho família no estrangeiro. Bem cedo aprendi a brincar no verão com os primos como se não houvesse amanhã quando voltavam à terra por uns dias. Desde bem cedo aprendi a lidar com as conversas e os abraços dos tios que nos querem bem, mas só nos conseguem ver uma vez por ano. Do mano e do pequeno que me fazem perder todos os dias tanta vida do que vivem. Podia portanto ter já calo nestas situações. Desenganem-se. A cada partida, a cada reviver de uma despedida a dor cá dentro volta. A saudade mesmo já antes de ir. E então agora, que a veia de criança foi-se juntamente com a inocência, o lembrar mesmo antes de partirem do que se vai perder, da incógnita de se para o próximo ano estamos cá todos. Essas merd@s que em criança choramos baba e ranho mas no dia a seguir passa e que agora temos consciência que as coisas às vezes não correm como nós queremos. Até porque os dissabores e as perdas que as distâncias já me trouxeram só o comprovam. Perdemos tanto uns dos outros. E pela lógica isto não deveria ser assim.

Na segunda-feira, quando ela se aproximou de mim com ciscos nos olhos e os braços abertos a dizer "ainda há pouco eramos uns miudos a brincar no fundo da rua, agora já sabemos o que é ter responsabilidades, uma delas é que tenho que ir porque o trabalho está à espera". E ficamos ali uns minutos entre as lágrimas e o abraço apertadinho de quem fica e de quem vai com tanto para viver junto. Foi a minha prima que me levava para todo lado, que crescemos juntas, que me ensinou tanta coisa, que a distância separou e que agora já tem família lá. E o ciclo é este, os filhos, o criar raízes e o vir para cá é cada vez mais uma miragem de um "talvez um dia, talvez nunca" que nos sufoca o abraço. Agosto termina hoje. O mês das férias. Hoje vão embora mais uns quantos.

Resumindo, porra para esta merd@ das distâncias, dos quilómetros de saudade, dos ciscos nos olhos e do coração apertadinho.

Ser Português em Portugal e falar estrangeiro é só estúpido.

Todos sabemos que Agosto é o mês dos emigrantes regressarem de férias ao nosso país. Eu costumo dizer que está aberta a época do "Jean-Michel vien ici imediatamente" ou do "Jean-Michel tu vas tomber e ainda levas por cima".

Sinceramente acho extremamente desnecessário por parte destes o falarem outra língua que não a sua própria língua, visto que são isso mesmo, portugueses. "Ah, até faço questão que os meus filhos lá sigam a escola portuguesa", mas depois cá é o que se vê.

Ontem num hipermercado cá na terrinha, há uma senhora que vem com o carrinho de compras contra mim, ao olhar, imediatamente diz-me "excusez moi, pardon!", ao que lhe respondo "de nada, de rien!". Ficou a olhar para mim com uma cara de parva, vira-se para a senhora que estava com ela e pergunta-lhe "mas afinal é para levar pêssegos ou maçãs?".

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Sim... é só estúpido.

Acreditar! Acreditar! Estamos juntos ou não, car@lho*?!

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Ninguém disse que ia ser fácil. Ninguém. Ninguém estava a pensar na hipótese de Cristiano Ronaldo se lesionar aos oito minutos por uma falta que nem foi assinalada, tentar jogar e não conseguir, Chorar em campo, sair para ligar o joelho e entrar novamente em campo e ver na sua cara o esforço de querer tentar mas não conseguir. Sentar-se novamente no chão pedir a  sua substituição em lágrimas e sair em maca. Ninguém imaginava esse cenário. E foi aí que me emocionei agarrando ao cachecol e pedindo para ser aquele o nosso maior incentivo.

Ali parou tudo. França, somos nós que jogamos nojento?

A passagem de braçadeira para Nani, o incentivo de Ronaldo e  a determinação de Nani a pedir força a todos.

Foi naquele momento que soubemos que tínhamos que ser superiores. E acreditar sempre. Entrou o meu Quaresma, e eu sei que ele preferia estar no banco a ter que entrar para substituir Ronaldo por uma lesão. Mas o agora ali tinha que ser. E tinha que mostrar a raça e orgulho que tem de ter "aquele lugar". Mais que vencer, começava ali a sede de justiça para com o que tinham feito ao nosso menino, ao nosso capitão.

A equipa uniu-se. Sacrificou-se e deu tudo. A vontade de ganhar estava em cada rosto e nas luvas de Patrício.

Quando Eder entrou, chamando-lhe eu o destrambelhado  foi o assumir de qualquer forma que ele ia desestabilizar e podia ser ali "a" diferença.

Confesso, não fui das que mais aplaudiu Éder ao ser chamado à selecção. Mas hoje ele foi quem nos deu a tamanha alegria e orgulho da vitória! Está de Parabéns, mais que merecido.

Foi uma caminhada complicada, cheia de marés contra. De fora e de dentro. De tanta e tanta critica ao capitão que acho que aquela imagem já no final do jogo  de Ronaldo a par com o Fernando Santos no incentivo aos jogadores foi a chapada para tantos críticos. Ronaldo deu o que tinha a dar  mesmo que em algum momento não tenha sido aquilo que queríamos. Mas mais do que ninguém acredito que tenha sempre tentado dar o seu melhor.

Tivemos uma imprensa internacional que não podia falar pior de nós. Tivemos França que nos criticou tão negativamente que fez os nossos milhares de emigrantes se revoltarem. A vitória era a chapada de luva branca que precisávamos. E foi.

Estou tão feliz. Tão orgulhosa.

 

 

 

Há uma emoção que nos transborda a alma. Que ficará na nossa história. E na história de um País, que mostra, na união, confiança e atitude, uma nação valente.

Que orgulho! Merci!

* CAMPEÕES, CAMPEÕES! NÓS SOMOS CAMPEÕES *

* do "verbo" sa'foda de Cristiano Ronaldo

Euro 2016 (França) 10/07/2016 - PORTUGAL 1 x 0  França (FINAL)

França,

o resumo de um Europeu, da vossa frustração, a Torre Eiffel não vestir a cor dos campeões.

O vosso mau perder...

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A grande Final - Euro 2016!

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Durante um mês, vesti mais que a camisola deste Euro 2016. Vesti a emoção de cada jogo, dos empates das vitórias. Sofri agarrada às minis e aos petiscos como não há memória. A bandeira sempre esteve na varanda desde o primeiro minuto, até o vento a levar, mas já lá está outra ainda maior. Emocionei-me com atitudes de quem veste a camisola mais bonita dentro de campo. Portugal. Portugal. Gritei vezes sem conta a cada passagem.

No dia de início do Euro deixei aqui a mensagem de apoio incondicional desde o primeiro minuto de jogo que jogássemos. Até onde desse e assim o fiz. Escrevi sobre este Europeu, sempre que jogamos e sempre que a emoção queria tomar conta de mim e converter em palavras e o que vai cá dentro. Mostrei que as mulheres também podem gostar de futebol, falar de futebol e trocar programas mais femininos por um programa que inclui futebol. Sem desculpas, puderam começar a saber os nomes de quem joga pela selecção sem ser o Ronaldo ou o [meu ciganito] Quaresma. O que é um fora de jogo, ou mesmo as tentativas de nos roubarem o sonho de chegar onde chegamos. Podemos não ter jogado bonito em todos os jogos. Podemos não ter ganho os jogos por goleadas, ou podemos ter passado a fase de grupos à rasquinha. Mas passamos sem ser levados ao colo e com penaltis roubados em três deles. Não precisamos que nos passem a mãozinha nas costas. Desde que toda a gente veja o que merecemos, está ganho. O que é preciso é estar do lado deles. Basta de treinadores de bancada, porque ninguém vai lá dentro e faz melhor. Aqueles são os escolhidos. Aqueles são o que podem fazer com que a gente sonhe. Sonhe muito. Isto é um sonho. De momentos. De momentos que vão ficando. Sem clubismos que tornam tudo tantas vezes difícil no futebol. Mas aqui é de braços todos numa só cor. PORTUGAL.

E se alguém viu o vídeo que publiquei no início do Euro, vejam este e tentem não se emocionarem como na Marcha inicial de uma Nação:

 

É a hora. Chegou a nossa hora. Estamos na final.  Eu acredito.

Confiança. Atitude.

Estamos juntos. Às 20h.

Força PORTUGAL

Euro 2016 (França) 10/07/2016 - PORTUGAL x  França (FINAL)

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