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SorrisoIncógnito

Todo o sorriso é apaixonante devido ao incógnito que o ofusca! SORRIR_um estado de espírito...

Há pessoas distraídas e depois há a minha pessoa.

Só para terem a noção do quão distraída, se é isso a que posso chamar, eu sou.

Há uns tempos que tenho um pedido de amizade no facebook de um senhor cuja primeira impressão foi: "esta cara não me é estranha", mas não adicionei porque queria identificar primeiro de onde seria. Passaram todos estes dias e vezes sem conta a olhar para aquele pedido de amizade vejo que é, nada mais nada menos do que proprietário de um estabelecimento na minha terrinha, ali pertíssimo de minha casa e com quem me cruzo diversas vezes.

Sim, esta sou eu.

Um batom colorido e um risco preto nos olhos.

Na verdade, as minhas insónias voltaram. Se é que alguma vez se foram. Mas parece estar de volta uma daquelas fases negras da coisa. Não há pachorra mas elas querem lá bem saber. Acho que desde que estive de férias, fiquei com tudo trocado. Levantei-me sempre cedo e deitei-me sempre tarde. Vim e não consegui aumentar muito mais as minhas horas de sono diárias. No entanto andamos nisto há três semanas, com dias de intenso trabalho e desgaste psicológico que me faz ficar ainda mais cansada mas dormir que é bom nada. E depois isso reflecte-se. Na cara, na pele, no mau humor. Bem tenho que admitir que, no meu caso, acho que quanto mais durmo (e por não ser o normal) mais mal disposta fico.

Este fim de semana foi um caos. De sexta para sábado já cheguei tarde a casa mas depois perdi horas às voltas na cama a levar com aquele silêncio ensurdecedor que me fez acordar com enxaquecas. Voltei a dormir e isso só piorou. Passei um sábado aborrecido. Desmarquei tudo o que tinha em planos e fui deitar-me cedinho. No domingo tinha a corrida da Mulher. Era uma da manhã e eu ainda bem acordada com uma dor de cabeça insistente. Depois começou a má disposição de estar ali deitada à horas e dormir nada. Joguei candy crush até as vidas acabarem. Vi o que havia a dar de jeito na Tv. Fiz zapping quinhentas vezes. Fechei o mais que pude os buracos da persiana. Apreciei o quarto do lado esquerdo, e depois do lado direito, o tecto e andei naquilo horas que me perdi em contar carneirinhos ou o que quer que seja. Eram cinco da manhã e eu sem pregar olho, mandei mensagem às companheiras da corrida a dizer que não ia conseguir ir, estava sem dormir, não ia aguentar. Às sete e meia, hora combinada de saída recebi a mensagem "sempre não vens?". E eu, que ainda estava acordada (!!!) infelizmente tive que falhar. Adormeci por volta das oito da manhã. Às onze e meia estava a tomar o pequeno almoço na cozinha.

Apetecia-me estar rabugenta a bater o pé e a rodar a baiana. Apetecia-me berrar aos céus e perguntar mil porquês, mas andei todo o santo dia numa pasmaceira que ninguém aguenta. Nem eu. Voltei a cair na cama cedo. Vi a gala toda dos globos de ouro. E depois andei a fazer zapping por programas de chacha. Não consigo precisar a que horas adormeci, mas já bem de madrugada. Às oito estava fora da cama.

Comprei um batom novo no fim de semana e dei de caras com ele logo pela manhã. Valeu isso e um risco preto nos olhos.

"Isso é tudo boa disposição a uma segunda-feira?" foi o que ouvi pela manhã.

É isto. Aparências. "Linda e esbelta" por fora, a desfalecer e a sussurrar por uma cama e uma noite bem dormida por dentro.

Mas bem disposta. Sim por incrível que pareça. É segunda-feira e eu estou bem disposta.

Mulher sofre #2

Há um mês partilhei aqui um dos dramas de uma mulher.

" Aquele momento em que te apercebes que estás a um mês de um casamento e que não tens vestidos que te sirvam. O drama. O horror. Mulheres entendem-me? Não me apetece gastar dinheiro, até porque a um mês do casamento nos entretanto tenho a Páscoa e uma afilhada, tenho as minhas primeiras férias do ano que incluem viagem de avião, uma semana para gozar, uma comunhão e prenda para o melhor sobrinho do Mundo. E de seguida o casamento com prenda para os noivos. Comprar vestido? Não faço questão. Mas... (há sempre um mas) fazer o quê quando vais ao guarda-roupa e os vestidos não te servem?

Estou tramada. "

Estava a um mês de um casamento. O casamento é já amanhã. E novidades?

Pois. Nos entretanto foi-se a Páscoa. E tinha chegado à decisão de como não fazia questão e não dava mesmo jeito nenhum comprar um novo vestido, usar um dos que já tenho. Adiante. O próximo passo era eles servirem-me. Só que não. E então resolvi mudar alguma coisa, para conseguir caber dentro de um que seja. Quem me conhece sabe, o doloroso que para mim é tudo o que envolva comer menos. Sou uma #MariaTexuga mais que assumida. E nunca me vi na situação de "ter mesmo que ser". Pelo menos se o objectivo é usar um vestido que já tenha, não havia outra opção. Nos últimos meses tinha aumentado o meu peso em seis quilos. Seis. Mas isso são outros quinhentos. O importante era perder parte pelo menos até que um que seja servisse. Não foi preciso beber coisas verdes e comer sementes. Não foi preciso passar fome e deixar de comer. Isso era ponto assente que falhasse logo à partida. Mas a primeira regra foi, tentar não repetir. Acreditem, eu raramente como apenas um prato de comida. Encho o prato duas ou três vezes. E passava por aí. Então comecei a tirar comida para o prato só uma vez. Achei que não podia ser só isso e com isso comecei a intensificar as minhas caminhadas. Caminhar o mais possível, sendo que calhou logo num mês em que estava a sair tarde do trabalho, mas tentei ao máximo durante quinze dias, à noite ir andar o mais possível. No telemóvel marcava 5klms. Era o que tinha que fazer pelo menos. E fiz.

Assim até ao dia de ir de férias consegui perder três quilos. Com as caminhadas e com a redução para um prato apenas de comida às refeições. E com o lanche para coisas mais saudáveis, entre iogurtes, fruta ou bolachas menos calóricas. Antes mesmo de ir de férias já tinha três vestidos que apertavam. Óptimo.

O pensamento seguinte foi "vou de férias e isto não vai piorar porque de férias muitas vezes como menos". O segundo pensamento foi "isto não pode mesmo mudar porque depois não vou ter tempo para perder o que seja que tenha para perder".

Fui de férias e... encontrei-me com o bolo do caco, com a batata doce, com as pizzas do Papa Manuel, com as semilhas. Encontrei-me com a Poncha, com os amendoins e com as batatas doces fritas. Com a carne em vinho e alho.

Cheguei cá e encontrei-me com a balança.

Contas feitas hoje tenho dois quilos e meio a menos. Amanhã vou ter que entrar num vestido. Dê por onde der!

Não faço entrevistas no carro, mas falo sozinha.

Elucidem-me se estiver errada. James Corden no ano passado fez um sucesso ao fazer um programa em que entrevistava famosos e uma parte do programa ele dava boleia de carro e entre outras coisas os convidados chegam até a cantar. O programa foi um êxito e tornou-se viral por todo o mundo.

Portugal, nisto de "copiar" as ideias que vêm de fora está sempre na primeira linha. Mas neste caso, passa um pouco por todo o lado, desde televisão, bloggers, programas de entretenimento, entrevistas...

Fazer uma vez ou outra... tudo bem. Agora será que não há ideias mais próprias do que fazer apenas o que os outros nos mostram que são um sucesso a fazer? É que, o ser um sucesso nos outros, não quer dizer que seja em nós.

E no entretanto a escrever este post tive uma ideia. Eu sou óptima a ter conversas no carro. Sozinha. Vai na volta ainda faço uns vídeos das minhas conversas que poderiam dar um post a conduzir sozinha. E sim, como já o admiti no facebook, eu pareço uma pessoa normal... mas depois falo sozinha no carro!

Peripécias deste lugar à beira Pólo Norte plantado.

2 graus*. mãos geladas. pés nem os sinto. casaco de pêlo apertado. AC a dar as ultimas (que é como quem diz a funcionar mal com certeza). chuva (partículas de gelo leia-se). nevoeiro. diz que neva nas montanhas mas nem as montanhas hoje consigo ver. garganta inflamada. dores no corpo.

Posso encolher-me dentro desta bola de pêlo e hibernar? Volto no verão!

(e ainda há quem diga que gosta mais do inverno, até dói)

Coragem Maria! Coragem! Tu sabes, a vida não é fácil para quem mora ali um bocadinho abaixo do Pólo Norte.

*e estou no trabalho que em casa normalmente ainda desce cerca de 2 graus!

Mais pelo Facebook. Ou pelo Instagram - @sorrisoincognito

Uma onda de frio vindo de Copenhaga (ou talvez não).

gelo

O despertador toca, que é como quem diz, o pai trouxe o café à cama (sim a fasquia está alta para arranjar um homem que me trate como o meu pai). Abro a janela do quarto e está um nevoeiro de dar dó. Não se vê um metro à frente. Está muito frio. Volto a cair na cama, só mais cinco minutos. E uma preguiça descomunal. Como é óbvio aqueles cinco minutos foram mais alguns e tudo o resto é a correr, o que é bom para tentar nem sentir o frio. Abro a porta de casa e tudo branquinho. Tudo. O jardim, a rua, os carros, os telhados das casas, tudo branquinho perdido entre o denso nevoeiro. Frio. Volto a entrar, pego no gorro e no kispo com pêlo. Hoje está mesmo frio. Os carros e aquela camada de gelo que os cobre. Sabem aquela chuva molha tolos? Que não chove mas deixa tudo molhado? É parecido, não nevou, mas deixou tudo branquinho e congelado. Coragem Maria!

A sorte do pai sair antes e ter lavado o carro dele e o meu, faz-me despachar senão tudo volta a congelar. Mas devagar, as escadas estão cheias de gelo. Tudo a postos para patinar.

Um grau. Está um grau. Maravilha (só que não). E aí pensei nas luvas que estive para comprar no fim-de-semana mas não comprei com o pensamento parvo - ainda não está assim tanto frio. Ai que bem que sabiam...

Respirar é uma tortura, que aquele ar gelado congela todas as articulações do corpo. Trava a fala. E os olhos ficam meio intermitentes como o sinal de perigo de gelo no carro. Não há condições. Afinal o gelo não veio só de Copenhaga!!!!!!

Agora é assim, mais um ou dois dias de frio sem chuva e menos um ou dois graus e neva. Certezinha.

Coragem Maria! Coragem! Tu sabes, a vida não é fácil para quem mora ali um bocadinho abaixo do Pólo Norte.

Let’s talk about sex or men's is the same! *6*

Tive um fim-de-semana "no stop" de trabalho. Acontece de quando em vez. Desta devido a uma feira de exposição. Já aqui falei várias vezes que no trabalho raramente lido com mulheres. Só homens. Ora na feira durante estes três dias de trabalho, não foi diferente. A minha convivência foi quase exclusivamente e apenas com homens. Desde colegas de exposição, clientes, fornecedores e amigos que o trabalho já me trouxe. Trouxe um sono irremediável. Um cansaço para curar durante esta semana. Peripécias, histórias, experiência, gargalhadas e mais umas quantas ilações de conversas encontros e afins. Trabalhar há tanto tempo nesta área faz com que muitas vezes já nem usem filtros em determinadas conversas porque sabem que à partida, já ouvi coisas (e vi) que são propícias a quem lida todos os dias apenas com homens. Num destes dias, ao almoço éramos quatro. Eu e três homens. As conversas começaram por eles e sim é basicamente aquilo que uma mulher pensa quando eles se encontram. Começaram a falar de trabalho, uma cusquice ou outra (sim os homens também são uns cuscos), passaram inevitavelmente pelos carros e acabaram, claro está, em mulheres. Ouvi de tudo, porque tal como disse às vezes esquecem-se que ali estou eu e não usam filtros. Quase no fim um deles pergunta-me, "estás à espera de conhecer um homem que não seja assim? És capaz de conhecer um por cento, só um conselho, certifica-te se é homem". Aquilo, independentemente do que penso sobre esse assunto, deu para umas boas gargalhadas. Há coisas que cada vez mais menos confusão me faz, porque fazem-nas parecer tão banais, que qualquer coisa que eu vá dizer sobre o mesmo não terá importância e depois ainda me perguntam, estás sozinha? Porquê?

Há 0.05% de vontade de acreditar que poderei um dia encontrar alguém em quem confiar. Mas enquanto me infiltrar nas conversas que me infiltro(am), sem filtros, não será com certeza fácil de confiar.

Dei por mim, enquanto comia uma coisa ou outra a pensar "isto até parece que lhes está no sangue". E provavelmente está.

Pressão psicológica.

Aquando um dia destes, o telefone da empresa tocou e fui eu a atender.

"Estou sim?"

Do outro lado uma voz seca, directa e num tom desagradável, nada simpático:

"Olhe estou a ligar porque há um menino x que foi abandonado pelos pais e tem uma doença grave e está a morrer, precisa de dinheiro para a cura, quer ajudar?"

Começo eu, de testa franzida pelo tom da senhora, como se a mesma me pudesse ver: "Olhe desculpe, sabe, eu sinceramente.." interrompendo-me diz-me "não quer ajudar? Sabe que, ele já foi abandonado pelos pais e se você também não o quer ajudar ele vai morrer!".

...

...

Fui fria, engoli em seco meia dúzia de vezes e só lhe consegui dizer que, sempre que posso ajudar alguém que precisa eu tento. Desliguei a chamada ainda a tempo de a ouvir dizer "olhe que deus esteja consigo!" com um tom não menos arrogante que toda a conversa.

Não consegui tirar aquilo da cabeça e a voz da senhora entoava-me. Fiz uma chamada solidária para a ONV só para ouvir que ajudei uma criança a sorrir, não para me justificar com o que quer que seja, já não é a primeira vez que tento contribuir na onv ou de outra maneira possível das tantas que há. Mas aquela voz não me "largou". O dia correu-me mal. Cheguei a casa ainda meia incrédula e desabei em lágrimas enquanto contava aos meus pais. Que rapidamente me fizeram "desanuviar" o problema.

A senhora não se identificou, não houve mais dados, zero de informações, foi somente aquilo. Mas aquilo foi suficiente para eu me sentir mal e ter um misto de emoções internas que só consegui extravasar quando chorei de raiva e partilhei o que me aconteceu.

Não me martirizei mais por isso, infelizmente sei que todos os dias há crianças em luta pela vida e que todos nós temos o dever de ajudar quando pudemos. Não chegamos é com as mãos a todos. É um facto. E sou uma desconfiada em pedidos de ajuda principalmente à distância, nada identificados. A vida faz-nos assim. Um miúdo na rua pede-me dinheiro para comer, ou pago-lhe a comida se quiser ali na zona, não dou dinheiro para cair nas mãos de outros.

Gosto imenso de ajudar, mas não gosto de pressões psicológicas.

Confesso, senti uma raiva que, ainda hoje, não consigo explicar.

SorrisoIncógnito

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