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SorrisoIncógnito

Todo o sorriso é apaixonante devido ao incógnito que o ofusca! SORRIR_um estado de espírito...

Eu não me chamo Vera Pereira!

Nem foi preciso existir uma Vera Pereira para ter conhecimento que o que não faltam por aí são "Veras Pereiras", ou chamem-lhe “tachos” ou “cunhas” é tudo a mesma porra e o cheiro nem sequer é diferente. Com certeza muitos já passaram por situações frustrantes em que isso foi bem notório, em que se muniam de todo e qualquer pormenor que não podia faltar para a entrevista de uma vaga de emprego e em que as pernas tremem tal é a ansiedade de o conseguir e nos espetam na cara que a vaga já está preenchida e vai na volta é de um sobrinho, ou do filho do Senhor Doutor “X”, ou pertence à família “Y”, ou simplesmente porque convém a alguém… Qualquer um já levou pela tromba fora qualquer coisa como “não é bem preciso ter estudos, vem outro com cunha e mete os teus estudos numa gaveta”. Mas também não acho que isso seja novidade para ninguém que Veras Pereiras são aos pontapés e elas nem têm culpa tadinhas, é que muitas vezes nem se esforçam por merecer pelo menos o que lhes foi dado de mão beijada, isto quando fica-se só pela mão beijada..., mas adiante. Há sempre alguém que conhecemos nesse patamar e tantos de nós teríamos com certeza peripécias a contar.

Não é fácil falar de quem não está, mas por vezes é necessário.

Temos sempre alguém que já cá não está. Aqui ao nosso lado. Eu não penso que essas pessoas tenham que ficar lá trás, pelo contrário há quem mereça dar-lhes continuidade. Infelizmente já há umas quantas que a ausência no meu dia-a-dia é deveras sentida. E eu gosto de falar delas, dá-me uma tranquilidade dizer o que sinto, a falta, a saudade, o sentimento, talvez muito daquilo que SEMPRE fica por dizer. Não gosto muito de falar delas a outros, há coisas que são nossas e ninguém as entenderá. Hoje quero falar, melhor dizendo desabafar, do J. daquele J. que sempre me lembro, sempre me rio e sempre dá um aperto uma lágrima por tudo. E vai dar. O J. era um apaixonado pela vida, tinha um sorriso presente e dizia tudo o que sentia, não tinha problemas, era demasiado espontâneo, impulsivo, amigo, amoroso. Um dia roubou-me um beijo eu dei-lhe uma chapada. Não, não fomos namorados, ele era um eterno apaixonado pela pessoa que eu era na altura. Fomos muito amigos e eu tinha nele um amigo para a vida inteira. Eu mexia com o coração dele mas o meu coração não partilhava o mesmo sentimento. Ele era de surpresas e mais surpresas. De palavras com actos. De mensagens lindíssimas (ainda tenho algumas dessas mensagens). Era mesmo boa pessoa. Bom rapaz. Tentei sempre que ele tivesse a noção que a sua paixoneta não era correspondida mas que em mim tinha uma amiga sempre. Um dia num tom sério chamou-me para falar e ali no meio do bar, rodeada por garrafas, com as luzes a piscar e o som alto nos meus ouvidos agarrando-me às mãos disse-me "estou doente, sabes as minhas constantes dores de cabeça, parece que agora deu alguma coisa, tenho um tumor benigno na cabeça, mas eu vou vencê-lo!" e foi ali que não mais ouvi uma música que passava só aquela notícia entoava na minha cabeça com o sorriso rasgado dele como se fosse uma simples enxaqueca nada mais. Pormenores à parte lembro-me de após a operação mandou-me uma mensagem a dizer que tinha corrido tudo bem e que estava bem. No dia seguinte recebo uma mensagem de uma amiga que apenas dizia: "O J. morreu!" é claro que não quis acreditar até porque há poucas horas ele próprio me tinha dito que tudo estava bem...

O J. Fez-me sorrir e faz ainda quando me lembro das maluquices dele. Não consegui ir à sua despedida e só passado alguns anos, no ano passado tive a coragem de pegar no carro e ir procurar a sua ultima morada... Eu não falo a ninguém do J. mas não é por me ter esquecido dele. Há coisas que custam aceitar. Muitas vezes leva-se uma vida...

Este texto fez-me abrir várias vezes o post e deixá-lo em rascunho muito tempo. Iniciei-o no dia em que fui ao cemitério pela primeira vez no ano passado e só agora o terminei porque hoje apeteceu-me falar do J.! Há dias...

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SorrisoIncógnito

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